29 09 2014

Lady GaGa e Tony Bennett de rostinhos colados

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Quando falo que Lady GaGa é uma artista extraordinária, não falo com a pretensão de aliviar as duras críticas que costumo fazer sobre seu trabalho. Não, eu falo sério. Ela é realmente uma puta artista. Isto é, quando não está coberta de maquiagem, armaduras e discursos repetitivos; em “Cheek to Cheek”, ela deixa que a voz e a capacidade artística apareçam sem serem ofuscadas. Isto é o que chamo de arte, GaGa.

Tony Bennett é o último cantor do rat pack em atividade  talvez vivo. O cara que foi amigo de Sinatra, mantém o jazz clássico nos dias atuais com certa popularidade. Sua colaboração com GaGa na faixa “The Lady Is a Tramp”, - na segunda parte de seu projeto de duetos - o colocou num spotlight maior e possibilitou este encontro, agora num trabalho inteiro. A junção do clássico com o pop contemporâneo deu origem à um daqueles álbuns obrigatórios num lar em que entre apenas boa música. 

Na verdade, é tão fundamental saber quem é Lady GaGa quanto saber quem é Tony Bennett. E isto independe de gosto. Tem a ver com cultura e querer malhar o cérebro. Então, digamos que este encontro de gerações seja ideal para esta nova geração superficial cavar mais informações e para atualizar quem ficou preso no túnel do tempo. Suas vozes casaram de maneira impecável, assim como o repertório escolhido fez justiça aos consagrados cantores do passado. Mas não sejamos injustos, afinal de contas, temos um competente e carismático Michael Bublè em plena atividade. E ainda Robbie Williams com dois álbuns em sua discografia, totalmente dedicados ao gênero. Sem falar na saudosa Amy Winehouse, que poderia ter sido a voz de “Cheek to Cheek”. 

Só para citar alguns momentos importantes do álbum: começa com "Anything Goes"; o primeiro single é só um aperitivo do que está por vir. “Cheek to Cheek” em seguida, só dá certeza de que a mistura das vozes rolou muuuito bem.

"Nature Boy", de Cole Porter - um dos compositores mais importantes da história - entrou no álbum e foi gravada outras diversas vezes por outros artistas, possivelmente em todas as gerações musicais que o seguiram. Até mesmo Celine Dion fez sua versão. Apesar disto, a versão de David Bowie para a trilha de "Moulin Rouge" é a que vem com mais força na minha memória.

O solo de GaGa na faixa “Lush Life” é deliciosa e ponto alto do álbum. E claro, a faixa da versão deluxe, “Bang Bang (My Baby Shot Me Down”, eternizada por Nancy Sinatra, ficou absolutamente incrível na voz de Miss Germanotta. 

Lady GaGa errou muito na sua recente carreira como popstar e aproveitou mais um revés para ser sofisticada e simplesmente acertar em cheio. Este projeto com Tony Bennett é a melhor coisa de sua trajetória, desde “The Fame Monster”. Sem esforço, a música está vendendo bem, por si só, apenas por ser de bom gosto e orquestrada com maestria. Após esta faceta jazz e da peruca enrolada à la Cher, GaGa torna-se mais Stefani e menos Madonna. E muito mais Liza Minnelli. Finalmente, de monstruoso, só o seu talento. 

26 09 2014

Tudo o que NÃO aconteceu na #BangerzTour

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Em primeiro lugar, como não faço o requisito da blogueira mentirosa, já adianto que não estive lá, in loco. Recebi o credenciamento um dia antes do show e estava tudo pronto, inclusive textos e gravações que eu planejava fazer para constar na cobertura. Só que deu tudo errado. 

A chuva atrapalhou 70%, já que todo o equipamento que eu consegui é emprestado. NO WAY que eu vou levar prejuízo e causar um problema para a pessoa que gentilmente cedeu sua câmera para eu trabalhar. Os outros 30% de culpa, atribuo à enxaqueca que me perseguiu durante a sexta-feira toda. 

Mas, como vocês também sabem, não faço o requisito da blogueira preguiçosa e que arranja desculpas. Há muito o que falar sobre Miley, sua turnê atual e o ciclo que deve ser fechado após a conclusão desta leg, que termina na Austrália. 

Muito se falou sobre a virada brusca na imagem e comportamento de Miley a partir deste álbum. “We Can’t Stop” estava mais para uma faixa rejeitada de Rihanna do que para qualquer sobra da angelical Hannah Montana. Por outro lado, ela nunca conseguiu esconder que tinha mais substância e personalidade em relação à suas contemporâneas Disney, nem mesmo quando defendia a preservação da virgindade no auge da sua carreira no sitcom.

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É louvável ter conseguido toda a atenção e mídia para o material, que quando ouvido e considerado como um todo, fica apenas na média. Se de primeira pareceu forçada a tentativa de ser a Rihanna branca, hoje o visual platinado joãozinho e o jeito “singular” ao dançar parecem no lugar certo, de sua posse somente. Temos highlights no álbum, como “Drive”, “SMS (Bangerz)” e “Adore You”, mas ainda assim, “Wrecking Ball” é a grande canção do álbum. Por obra do destino ou não, esta é a faixa que exclui totalmente a persona sexual e debochada de cena. Miley se despiu das roupas e dos conceitos de “Bangerz” para ser vulnerável, honesta e crua. Foi aí que ela acertou. 

De estrela mirim à adulta rebolativa-rebelde; Miley não é a nova Britney, tampouco a nova Madonna. Miley usa e abusa da inteligência para ironizar e rejeitar todos os dogmas que atribuiu a si mesma e que foram atribuídos por aqueles que a veem crescer por todos estes anos. Não tem shape de gostosa? Vai rebolar até o chão! Não é negra, nem cresceu numa família pobre? Vai vestir-se com blusas largas de jersey!

É absurdo que neste século XXI, todo pautado em globalização, alguém acuse um artista de apropriação de cultura. Como se o preconceito e todo o ódio do mundo não fossem suficientes, quiseram tirar o direito de Miley de rebolar. Pois ela não parou! E ainda mostrou a língua milhões de vezes só para reafirmar que o palco é seu templo e lá ela é a patroa. Music makes the people come together, yeah! Somos todos iguais, somos todos musicais. A cultura pertence à quem quer tê-la, usufruí-la. Viva o Funk carioca! Viva o twerk da Miley! 

Miley Cyrus chega ao Brasil com sua bunda pequenina, bem branquela, com a língua de fora e sem muitos dos elementos bacanas que compõem o cenário da #BangerzTour lá fora. A logística para o Brasil ficava cara demais e a produção resolveu deixá-las de fora. As vendas, pelos boatos que rolaram, foram decepcionantes. Apesar do efeito “Wrecking Ball”, do apelo da fase rebelde e até um salão de beleza montado no Anhembi para platinar os cabelos dos fãs, não houve comoção. Os brasileiros que pagam muito mais caro para ver shows internacionais estão se acostumando com a presença dos gringos por aqui. NO GERAL, ninguém mais carrega no colo os estrangeiros que chegam para tocar. Salvo exceções, claro. 

Até o fechamento deste artigo, não sabemos que horas Miley chegou, muito menos onde está hospedada. Chove forte lá fora, fãs esperam esde o último dia 11 no local e há toda uma atmosfera de mistério rondando a #BangerzTour em São Paulo. A minha aposta para esta noite é muito conteúdo do “Bangerz”, umas duas ou três das antigas, gritaria e polêmica, porque ninguém é de ferro e a garota está muito quietinha ultimamente. Agora eu pergunto para vocês que foram… valeu a pena? Me contem tuuuuuudo lá no @NathaliaFerrari!

Teve Copa, teve Miley, teve chuva. Tudo isso aconteceu, glr. #Brazil LovesMiley #BangerzTourSP :P 

Agradecimento: T4F 

Foto 1: Divulgação

Foto 2: T4F - Camila Cara - Divulgação

23 09 2014

#RoadToVegas - Capítulo 2: Tudo pode mudar

Desde o primeiro capítulo, procurei pessoas que tenham vencido o medo de avião. Infelizmente, não consegui nenhum depoimento para constar, mas fui aconselhada a procurar por terapias específicas. O problema é o preço: sai por volta de R$3.800,00 o tratamento. Ou seja, vou ter que me livrar do medo sozinha.

Também temos dois novos cenários: 

01 - Britney poderá renovar seu contrato da residência por mais um ou dois anos. Isto me daria mais tempo. E se eu for realmente no próximo setembro, teria que zerar as economias que meus pais fizeram em meu nome, ao longo dos meus 24 anos. Quatro dias em Las Vegas com o Meet & Greet, me custariam mais do que uma estadia de 10 dias em Orlando, com ingressos para os parques e podendo fazer compras.

02 - A família resolveu que é hora de conhecer Orlando. Uma parte irá em janeiro e eu só poderei ir em setembro, mesmo mês em que estava planejando ver Britney em Vegas. Neste caso, eu não teria que tirar toda a minha grana, iríamos todos e ficaríamos mais tempo por lá. Para Las Vegas eu teria apenas um acompanhante e sem possibilidade de compras, pois como vocês sabem, só o M&G custa cerca de U$2.500. 

No momento, não tenho emprego fixo. Mantenho este site e faço freelas por aí. Há meses em que tenho uma graninha, outros nem um realzinho entra. Vida de blogueira é difícil, não tem glamour hoje não. 

No próximo capítulo, quem sabe, uma resolução para todas as minhas dúvidas, medos e qual sonho eu escolhi. 

16 09 2014

#ColunaDoNERD - As três décadas das Tartarugas Ninja

Hollywood presenteou os fãs das Tartarugas Ninja com um novo filme. Produzido por Michael Bay (Transformers), o reboot traz aquilo que o cara mais gosta usar: explosões e ação desenfreada - às vezes até além da conta. As tartarugas continuam bem-humoradas, porém bem mais musculosas – viva o Whey Protein! – e expressivas, por conta de uma tecnologia inovadora de captação de movimento. Ah… e não podemos nos esquecer da incrível – SQN – atuação de Megan Fox como April O’Neil.

Se você já assistiu “Procurando Nemo”, sabe muito bem que as tartarugas podem passar dos 150 anos. Misture radioatividade, um bom treinamento ninja e muita pizza e elas podem viver bem mais do que isso; os 30 anos das Tartarugas Ninja parecerem uma divertida adolescência que causou impacto na Cultura Pop muito antes de Michael Bay colocar seus dedinhos no quarteto.

Em 1983, os desenhistas Peter Laird e Kevin Eastman, fãs do ilustrador Frank Miller (Batman: O Cavaleiro das Trevas), tentavam criar um novo personagem que resultasse numa HQ de sucesso e acharam interessante a ideia de tartarugas rápidas, mestres em artes marciais. Porém nenhuma editora aceitou o trabalho e o jeito foi criar a  própria editora, a Mirage Studios.

 

Nada de pizza!

A primeira edição foi lançada em maio de 1984, com apenas três mil exemplares. O intuito de satirizar outros heróis era claro, tanto que o acidente que criou as tartarugas foi o mesmo que deu origem ao “Demolidor”, da Marvel. Com a maioria das páginas em preto e branco, a história era sombria, repleta de violência e todos usavam bandanas vermelhas.

Leonardo, Rafael, Donatello e Michelangelo eram tartarugas modificadas por uma substância radioativa, o Ooze, que caiu de um caminhão. Assim como o Mestre Splinter, um rato que os treinou em artes marciais com o objetivo de assassinar – WHAT?! – o Destruidor – chefe do Clã do Pé (referência ao clã “The Hand”, também do Demolidor), que havia matado seu antigo dono. E sim, eles completam sua vingança ainda na primeira revista.

Seus nomes fazem referência aos artistas renascentistas: Leonardo da Vinci, Michelangelo di Ludovico, Rafael Sanzio e Donatello di Niccoló. Eles moravam escondidos nos esgotos de Nova Iorque, afinal não é todo dia que se vê uma tartaruga mutante andando pela calçada, não é mesmo? Já April O’ Neil apenas aparecia na segunda edição, como assistente de um laboratório que se torna amiga das tartarugas.

COWABUNGA!

Ah, os anos 80 e 90… O sucesso dos quadrinhos transformou as Tartarugas Ninja em desenho animado, exibido de 1987 a 1996. O enredo manteve, basicamente, a mesma origem dos personagens, mas com foco no humor. As tartarugas adoravam comer pizza, enfrentavam vilões que nem sempre botavam medo, como Bebop, Rocksteady, Krang e o próprio Destruidor, além de ganharem personalidades únicas e as famosas bandanas coloridas.

Leonardo, o líder do grupo, era o mais disciplinado, enquanto Rafael queria resolver tudo na porrada! Já Donatello, o mais inteligente, entendia de equipamentos complexos e Michelangelo tinha sempre uma piada na ponta da língua. Foi aqui que April vestiu a jaqueta amarela e se tornou a ousada repórter do canal 6 que conhecemos – além do famoso bordão “Cowabunga!” (“Santa Tartaruga!”, na versão brasileira).

E assim surgiu uma febre! O universo das tartarugas se fixou no imaginário do público com base na animação. Todo tipo de produto gerava milhões para os seus criadores: eram bonecos, peças musicais, animes, roupas e calçados, além dos jogos clássicos para Super Nintendo, – que eu passava horas jogando – Mega Drive, e quase todos os outros consoles. Uma nova HQ foi lançada, que acompanhava a história do desenho animado, mas aos poucos as aventuras impressas foram perdendo força.

“Hey dude, this is no cartoon”

O primeiro filme veio em 1990, custando apenas U$ 13 milhões. Um material mecânico era utilizado para dar mais expressão aos personagens, que se mantinham muito bem humorados, apesar do enredo sério. Seu faturamento foi de mais de U$ 100 milhões – considerado, na época, a produção independente mais lucrativa da história!

O filme ganhou mais duas sequências: “As Tartarugas Ninja 2 – O Segredo de Ooze” e “As Tartarugas Ninja 3”, mas ambos não fizeram o mesmo sucesso. Um live-action para a TV foi produzido entre 1997 e 1998, que introduzia uma tartaruga fêmea ao time, a Vênus de Milo, o que não agradou os fãs. Ainda assim, a série traz um encontro épico dos heróis com os Power Rangers. 

 

“I love being a turtle!”

Há anos que as Tartarugas Ninja não estão mais no auge, mas vira e mexe elas saem do casco e dão as caras com novas animações para a TV (2003 e 2011) HQs e games. Quanto à atual obra de Michael Bay… bem, ela pode até não honrar tanto o passado de nossas queridas comedoras de pizza, mas cumpre com o papel de apresentá-las a um novo público, além de matar os fãs de nostalgia. Santa Tartaruga, elas merecem!

Afinal, são três décadas criando tendência, marcando presença em todo o tipo de mídia, inovando em tecnologia cinematográfica e alegrando diversas gerações de fãs… tudo isso não é para qualquer um! É necessário muito treino, carisma e pizza para se tornar um clássico! E você há de concordar… 150 anos não são suficientes para as Tartarugas mais fodas do mundo! Vida longa às Tartarugas Ninja!

Fotos: Reprodução

Texto: Douglas Ibanez

Revisão: Nathalia Ferrari

 

Está no ar o #PopTalk de setembro! Nesta edição, falei sobre VMA, Jennifer Lawrence, Katy Perry, Britney Spears de volta aos estúdios, o divórcio de Mariah Carey e mais! Assista agora, curta, compartilhe… ah, não esqueça de se inscrever no canal do Pop Chiclete no Youtube e deixar um jóinha! :) 

06 09 2014
04 09 2014

#RoadToVegas: Capítulo 1 - O medo

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Pois bem, eu havia planejado ir à Las Vegas em setembro de 2015. Como é de conhecimento geral, um dos grandes sonhos da minha vida é respirar o mesmo ar de Britney Spears. Um ano me separa da possível viagem e também o medo. Sim, amiguinhos. Eu tenho pavor, medo e/ou fobia de avião. E preciso tomar uma decisão. 

Fiz três viagens de avião durante toda a minha vida, duas vezes para Florianópolis - aliás, sdd - e uma para o Rio de Janeiro. Não vou entrar nos detalhes, porque afinal de contas, ninguém é obrigado, mas tive problemas, especialmente nas duas primeiras vezes. Tive crises de ansiedade horas antes e insônia nos dias que precederam. Basicamente, o pânico toma conta de mim e eu não consigo fazer outra coisa além de chorar, me desesperar e sinto meu coração disparar. Além de quase sempre utilizar os saquinhos da companhia aérea (Y). Olha só que bom.

A questão é que tenho  um puta medo, gente. Mas também tenho vontade. Muita. Sonhei a vida toda com Nova York, a Disney e há pouco mais de um ano, com a possibilidade de ver Britney Spears de perto. Este medo ou sei lá como os psicólogos chamam, está me limitando. Desisti de muitas viagens bacanas por não conseguir me controlar. E até hoje não me perdoo por não ter conseguido comprar o M&G da Femme Fatale no Brasil. 

Bom, a história é basicamente esta. Tenho cinetose (enjoo de movimento) e um pânico fortíssimo de avião. No próximo capítulo, trarei um depoimento de uma pessoa que venceu esta fobia. E quem sabe eu não me animo!? E se você também passa por isto, quem sabe você também não se anima?

Estamos exatamente há um ano de Las Vegas, onde eu pretendo comemorar meu próximo aniversário, mas eu ainda não sei estarei lá.

Foto: X-Britney 

Na abertura do VMA, o trio foi só ‘ok’. No clipe, Jessie J faz a sua releitura de “Can’t Hold Us Down”, enquanto Ariana Grande abusa de saltos, roupas apertadas, pouco sal e muita extensão vocal. Nicki Minaj chegou de helicóptero, ficou um pouco, fez carão e nenhuma “Anaconda” foi vista, ufa! A faixa com refrão à la Broadway é até pegajoso, mas algo entre elas não dá liga. O vídeo sem apelo sexual escancarado é um alívio para os olhos e para a criatividade. Quero dizer, não é um roteiro bem elaborado, nem tem grandes efeitos especiais… Não enche os olhos, mas também não enche o saco. Mantiveram-se na média. 

26 08 2014
26 08 2014

Sia, a materialista sem rosto

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Sia Furler era apenas mais uma estrela-do-mar neste oceano de cantoras e compositoras. Australiana, com voz exótica e boas letras, era bem-sucedida no UK, mas a sua vida mudou mesmo quando Christina Aguilera ligou. De lá para cá, Sia fez muitas colaborações, emprestou sua voz para farofas eletrônicas e seu porquinho vai ficando mais rechonchudo a cada dia. Em seu mais recente trabalho próprio, o “1000 Forms of Fear”, Sia abriu mão de nome, sobrenome e rosto na arte da capa. Mas o que Sia rejeita, afinal; a fama, os enlatados prontos para consumo ou prega uma contradição de si mesma? 

A melhor parte do seu trabalho com Aguilera, é sem dúvida, o núcleo de baladas do álbum. Christina na época, falou com orgulho e entusiasmo destas faixas e as definiu como “o coração” do trabalho. “Bionic” foi um dos maiores fiascos de vendas, como é de conhecimento geral. Mas como números não são tudo e a qualidade das baladas é inegável, a veterana tornou-se mais presente no mainstream pop. Cantou dois smash hits de David Guetta, fez uma faixa R&B para NeYo, escreveu para Rita Ora, Beyoncè, Kylie Minogue, JLo e participou também do fracasso “Britney Jean”. Entre coisas boas, geniais, meia-boca e apenas comerciais, Sia Furler é hoje uma das pessoas mais requisitadas da indústria fonográfica. Sim, rica.

Já que a conta bancária está linda, está verde e o cartão de crédito passa que é uma beleza, ela então lançou o seu próprio trabalho em 2014, entitulado “1000 Forms of Fear”. “Chandelier” foi indicada no VMA e até Jim Carrey sabe cantar o refrão, então é sucesso, sim. Mas o que me intriga é o real motivo por trás da ocultação de seu rosto, na arte do álbum e durante toda a promoção do mesmo. 

Se por um lado temos artistas como GaGa e Demi Lovato pregando o amor próprio, independente de qualquer característica física, Sia vai totalmente na contramão e sem nenhum discurso, apenas oculta sua face. A arte sobressai desta forma? É insegurança mascarada de conceito? Ou é mesmo só a forma delicada e sensível que ela escolheu para promover seu cd?

Sia pode estar fazendo tudo ao mesmo tempo, inclusive crítica à indústria que demorou para reconhecer seus talentos, já que a mídia, no geral, sempre teve tendência a apostar em rostos e corpos perfeitos. Um verdadeiro pout-pourri de possíveis motivos. Como as intenções nem sempre são explicadas nos mínimos detalhes, - nem devem - Furler deixa que cada um crie a sua teoria sobre a mente da artista; há quanto tempo um simples conceito promocional não tomava conta dos nossos imaginários? 

Pois bem, o marketing da peruca sem cabeça funcionou comigo: ouvi e não gostei. “We Are Born”, o anterior, me parece muito mais orgânico e honesto. Em “1000 Forms of Fear”, Sia foi engolida por seus medos, inseguranças e fez um álbum tão coerente que beira o comum, como se a sua nova condição de “mulher importante do pop” não tivesse lhe dado nada além de boas cifras. Quando finalmente ganha rosto, nome e sobrenome, rejeita a fama - mas não aquela maléfica que rouba a alma das pessoas através das fotos. Sia está de costas para o público, com intenções não tão claras. Mas por que a plateia não merece o contato visual? De qualquer forma, a peruca tem dona, assim como muitas músicas que você ouve diariamente a pertencem. Finalmente, cada um que pense com a sua peruca. Ops, cabeça. 

Nicki Minaj finalmente conseguiu cantar sozinha e emplacar uma música sem a ajuda de amiguinhos. O vídeo de ‘Anaconda’ surgiu para apoiar a canção e eu não sei nem por onde começar. Vamos lá… a objetificação da mulher, sua bunda e a futilização completa que ela escolheu mostrar. Sim, não vamos nos esquecer que este é seu verdadeiro estilo, não aquela Barbie-gritadeira que vimos num passado recente. Mas também é justo dizer que o funk carioca - visto como degradante, fútil e muitas vezes excluso de nossa cultura pelos “entendidos” - é na verdade, um trilhão de vezes melhor do que qualquer coisa que esta gringa tente fazer. Valesca Popozuda é Rainha do Império do Funk se colocada ao lado desta nova e inferior versão de Lil’ Kim. Fui rever “Pour It Up” e a partir de agora, acho que RihRih pode ser chamada de Lady. Por fim, Nicki consegue atingir o objetivo: rebolar para o Drake e apelar em níveis estratosféricos.  Todo mundo segurando o tchan! Beijos para as Scheilas! Classudas! 

20 08 2014

Site da Nathalia Ferrari, jornalista graduada em 2011 pela USJT. Escreve quando quer/quando pode, sobre as coisas que a interessa e principalmente, quando tem dinheiro para ir até pauta. Continua acreditando que Britney Spears raspou os cabelos por nossos pecados e esteve no triângulo mais importante do mundo: o dourado de Deus, digo, Madonna. Atualmente é viciada em 'Game Of Thrones' e 'Once Upon a Time', mas já amou 'Gossip Girl' e acreditou ser Emily Thorne por um ano. Apesar do título de "Drama Queen", não ouve mais o "Electra Heart" com frequência, já que sua vida amorosa vai bem agora, obrigada. Faz a raiz de quatro em quatro meses para não prejudicar os fios e o raciocínio. Eleita Miss Mooca por seus familiares e foi destaque da "Turma do Amendoim" nos seus velhos tempos de Palestra Itália. Poderia arranjar um trabalho de verdade e ganhar dinheiro, mas prefere os insultos gratuitos da internet e o pai-trocínio. Não foi Chiquitita, nem casou com o Nick Carter, mas consegue sempre estourar o cartão em cosméticos, cds e dvds. Não a julgue, você não sabe pelo que ela passou.

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