"I Will Never Let You Down" abre os trabalhos do segundo álbum de Rita Ora. A faixa, apesar de ser cria do namorado Calvin Harris, não é nada óbvia e parecida com o que o cara costuma colocar nas rádios. Um pop lento que no refrão ganha um impulso com elementos 90’s. Não é impactante quanto os singles do seu debut e deixou certa dúvida pairando no ar. Rita virou uma espécie de outdoor ambulante da super falada coleção da grife Moschino, comandada por Jeremy Scott, tanto nas suas aparições recentes quanto neste videoclipe. A queridinha fashion precisa de um segundo capítulo tão bom quanto o primeiro, e nada é tão fácil quanto parece no show bizz

por Nathalia Ferrari em 07/04/2014

O título tá cafona mas o review há de ficar bom, portanto, não desistam deste texto! 

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Kylie Minogue não é nenhuma menininha, embora pareça. Munida de seu pó de pirlimpimpim, pedra filosofal ou algum sérum ultra-tecnológico, a Afrodite do Pop volta ainda mais jovem na capa de seu novo álbum. Se o anterior ficou entre cafona e monótono, - menos os singles - a empresa de Jay-Z ofereceu um contrato para o nascimento deste fresco “Kiss Me Once”. A mudança de ares fez tão bem para Miss Minogue, que o trabalho figura entre os lançamentos mais radiofônicos de 2014. 

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Into The Blue abre com maestria. Tem piano, violino e uma levada eletrônica sutil e gostosa. O clipe mostra uma one night stand que de tão intensa, parece que durou para sempre. Na bridge, o instrumental fica mais leve para aumentar e dar o tom do refrão logo em seguida. Radio friendly, pop em sua essência e de muito bom gosto. Na letra, não se arrepende de seus erros e está numa jornada sem fim. 

Million Miles é aquela que PRECISA ser single. Lembra a Kylie dos bons e áureos tempos de “Fever”. O que Kylie diz até aqui: não é necessário dar piruetas vocais e inventar instrumentais miraculosos para fazer uma boa faixa. Outra pop eletrônica agradável aos ouvidos, que não cansa. Os vocais mudam de intensidade durante a música, de acordo com a pretensão. 

I Was Gonna Cancel é uma faixa no mood 80’s. Poderia ser dos Pet Shop Boys, facilmente. Tem aquela levada das discotecas, com polainas e roupas neon. E você nunca vai saber se não for! Antes uma festa ruim do que um bom dia de trabalho. Not really. Tá, enfim… próxima! 

Sexy Love tem intro com cordas e depois o clima fica uma década mais velho. Eletrônico anos 90, sem deixar a radiofonia para trás. Nesta faixa, fica clara a atenção especial aos refrões, todos fortes, chicletes e marcantes. 

Sexercize, o segundo single do “Kiss Me Once”, é uma midtempo que flerta com o R&B. O vídeo também já está disponível e mostra Kylie sensualizando no pilates. A ação entre garotas nunca foi tão in. Poderia falar também da iluminação do clipe, mas ninguém vai prestar atenção nisso! Digamos que este é o “Partiiton” de Kylie, com um grau a menos de sensualidade. 

A intro de Feels So Good me fez imaginar uma cena de sapateado, daquelas dos filmes antigos, mas isto não importa. É mais uma midtempo com um eletrônico que só marca o ritmo. No refrão, a radiofonia aumenta, assim como em todas as outras faixas do álbum. A coerência de sons e temas tornam o álbum mais interessante.

If Only é a mais melosinha dentre as midtempos até aqui. Deu vontade de ver a performance ao vivo desta faixa. Conhecendo Kylie, essa parte do show deverá ser a mais cheia de glitter e corações flutuantes. A busca pelo amor verdadeiro ou o possível retorno. Mais um refrão forte e nesta, vocais mais elaborados. 

Les Sex tem umaintro pegadinha. Começa de um jeito que lembra uma música de ninar. Aumenta o ritmo quando os vocais aparecem e já volta rápido para a calmaria e fofura. Foi uma das primeiras faixas deste álbum a ser revelada com antecedência, durante um pocket show na famosíssima G-A-Y de Londres. É divertida, safadinha sem ser vulgar. 

Kiss Me Once que dá título ao álbum determina o núcleo. Bem radiofônica, extremamente pop, os vocais que não deixam dúvida de quem é a dona da canção. Um beijo, seja o primeiro ou o próximo, Kylie está angelical e coerente com o resto das faixas. Talvez não funcione bem como single, mas rola muito bem no conjunto. 

Beautiful é a balada, provável próximo single deste cd. A faixa é uma colaboração com Enrique Iglesias, outro estrangeiro que tenta dar certo em território norte-americano. É essencialmente no piano, até chegar no refrão, onde ganha força. As vozes casaram bem, mas #Kids4Evah como melhor featuring da loira. A não ser que um dia Madonna diga sim. 

Fine é a última da versão standard do “Kiss Me Once”. Tem um coro de Kylies na introdução e transforma-se numa midtempo com refrão pegajoso. O instrumental tem elementos eletrônicos como era trend nos anos 90. Fala sobre ver o lado positivo das coisas, virar o rosto para onde está o sol. É uma lamúria com mensagem quase motivacional.

Se o “Aphrodite” parecia um amontoado de coisas, sons e com tema confuso, “Kiss Me Once” é justamente o oposto. Mistura referências 80s, 90s, sem parecer datado. Apesar de raso, os temas centrais são amor e sexo, colocados numa medida que entretém e consegue fazer dançar; timidamente ou com pulos altos na pista, depende do exagero ou timidez de cada ouvinte. Este fica longe do registro anterior e do “X”, mais longe ainda. Talvez a leveza seja mesmo o diferencial deste novo trabalho de Kylie, agora na família Roc Nation. É pouco provável que bombe lá na terra do tio Sam conforme a pretensão ultra-secreta, mas mesmo assim, é obrigatório na coleção de quem aprecia uma boa música pop. 

UPDATE - 3 de abril de 2014 - Rádios do Reino Unido estão recebendo o cd promocional de “I Was Gonna Cancel”. 

por Nathalia Ferrari em 02/04/2014

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Uma mulher, um leão, gladius. Shakira, o fenômeno latino perdeu forças quando resolveu desbravar o território americano. Apesar da popularidade crescente na década passada, conseguiu impactar de verdade com apenas dois hits (“Hips Don’t Lie, “Waka Waka”) e não conseguia convencer com seus materiais de estúdio no novo continente. Agora mãe e casada, a jurada Shakira seguiu o trend dos álbuns auto-intitulados para provar seu ponto de vista: o do gladiador em pleno campo de batalha. 

Shakira começou a ganhar notoriedade em meados dos anos 90. Não era tão gata, mas já era inteligente e poliglota como poucas artistas. Invadiu a tevê brasileira, marcava presença no Gugu, era bff do Ricky Martin e quem não tivesse uma cópia do “Pies Descalzos” simplesmente não era cool. O sucesso na América Latina foi consolidado com o sucessor “¿Donde Estan Los Ladrones?”, daí cresceram os olhos dos caras lá na América. De lá para cá, nem sempre foram flores caídas sob seus cabelos, dourados a partir daqui.

A primeira tentativa, não sejamos injustos, deu muito certo. O “Laundry Service” ainda figura no topo de seus melhores e mais bem feitos trabalhos. “Whenever, Whenever” e “Underneath Your Clothes”, são memoráveis singles deste álbum e permanecem atuais.

Não podemos esquecer do dueto com Alejandro Sanz, “La Tortura”, que pertence ao sucessor, “Oral Fixation/ Fijación Oral”. Outra boa faixa, mas que não sustentou o conjunto. E depois teve “Loca”… Ok. Mas a questão é: Shakira não conseguiu nos envolver com ‘o todo’ de um álbum há muito! Particularmente, desde “Laundry Service”. 

O seu auto-intitulado é variado, sem exageros vocais, bem produzido e consistente. Todo este tempo se passou e só agora, Shakira parece confortável na pele de uma artista estrangeira em território americano. A batalha que dura mais de duas décadas, oscilou entre quedas, machucados, cicatrizes, até levantar-se. Até agora. Não há faixa ruim e sinceramente, pouco importa se você e seus amiguinhos vão comprar. Ela mesma declarou que a música deveria ser um presente. O dueto com Rihanna é o mais impactante em termos de marketing, mas está longe de ser a melhor coisa do cd. Tem “Medicine”, um dueto ótimo com o queridinho Blake Shelton, “Dare (La La La)” o provável hino da Copa do Brasil , a ótima “Spotlight”, “Empire” que na minha opinião é um dos melhores singles de 2014… agora sim! Chuva de rosas, aplausos e danem-se os números.

Voltando ao leão, a mulher e a gladius: Shakira nunca errou. Sua ascensão foi tão meteórica que nossas expectativas voaram junto. Como o leão no Coliseu, de frente para a presa, não tivemos paciência de estudar seus movimentos, seu amadurecimento. “Shakira.” é a redenção de uma gladiadora desacreditada; uma arma como a gladius é curta, exige minúcia e planejamento para o golpe. Mas não se engane: o felino não está morto.

Para curtir a videografia completa de Shakira, acesse seu canal oficial Youtube/VEVO.

Você já pode adquirir o novo álbum, "Shakira." no Itunes

por Nathalia Ferrari em 01/04/2014

Em ‘G.U.Y’, Lady GaGa aproveitou para fazer justiça às músicas que foram descartadas como single, além de dar uma nova imagem e conceito ao seu ‘ARTPOP’. O curta começa com uma GaGa caída sob um chão coberto de notas de dinheiro, asas e arco atravessado no seu corpo - clara alusão aos seus dias de miséria na indústria do entretenimento. “We could, we could belong together” é o exato sentimento da mentora em relação ao seu trabalho, números e recepção. Após a faixa-título, GaGa é levada para uma espécie de Olimpo, que certamente é comandado por Dionísio. Debilitada, a sua ‘Venus’ é carregada até um ritual de funeral na água. Renascida. Tiveram também suas respectivas ressurreições, Jesus, Ghandi e Michael Jackson, pena que é só simbologia. E assim, inicia sua guerra contra a indústria do pop, devidamente armada e bonita, só para mostrar que pode e sabe das regras subliminares.  ’G.U.Y’ é na verdade, uma volta ao passado, ao que Lady GaGa fazia de melhor; desde “Bad Romance”, a Mãe Monstra não era tão interessante e calada - dois elementos necessariamente obrigatórios. A produção é gigantesca, o corpo de bailarinos também compõe de maneira magistral o curta. Até o jeito peculiar de dançar foi inserido com êxito desta vez. Pena que ninguém renasceu, muito menos o álbum, a não ser que um relançamento esteja planejado. Mesmo que este mini-film seja bonito, musicalmente agradável e Lady GaGa pareça mais consigo mesma, o público em geral não consegue amá-la incondicionalmente. AINDA. Para reestabelecer a relação, digamos que devemos lhe enviar flores. Hortênsias. 

por Nathalia Ferrari em 24/03/2014

Lily Allen nasceu para o estrelato graças à esta fabulosa ferramenta chamada internet. Desde lá, a britânica faz músicas para bons entendedores. Inserida há alguns respeitáveis anos na indústria, a cantora lançará seu novo registro em 5 de maio. 

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'Sheezus', o título do álbum, é uma clara referência ao álbum 'Yeezus', último do Kanye West. Uma homenagem, claro. Ok, também uma piada. Como sempre, Lily abusa da ironia e desta vez, o nome, a capa e o lead single fazem um trio de impacto; “Hard Out Here” a mostra simulando uma lipoaspiração e faz questão de contar como e porque é tão difícil ser mulher no cenário pop. Os elementos dos clipes de hip hop: mulheres perfeitas, coreografias abusadas e toda aquela champagne desperdiçada estão lá para contextualizar suas críticas. 

Não que Lily não fosse pop antes, não. Ela sempre foi. Mas só pelas prévias do material completo, ‘Sheezus’ deverá ser seu trabalho mais abrangente em público e números, já dá para dizer. “Air Balloon”, o segundo single é radiofonia pura. Refrão simples e pegajoso para compor uma letra leve, que não chega a ter grande profundidade, mas também não segue o padrão pop atual. Nada como a altitude para quando se está entediada. É o caso! 

A massiva divulgação segue com o lyric video de “L8 CMMR”, que está na trilha sonora da próxima temporada de “Girls”, o grande hit da HBO entre as garotas descoladas, gays e admiradores de Lena Dunham - protagonista e basicamente, dona do negócio todo. 

"Our Time" é sobre solidão. Apesar de estar com outras duas versões de si (uma a cara de Lindsay Lohan e a outra com um quê de Kate Moss e Sienna Miller), não sai do taxi que a conduz a noite toda. Ao nascer do sol, cadê dinheiro para pagar a corrida? Não está fácil para ninguém.

Lily Allen já é o nome do ano por que:

 - Tem bom humor, inteligência, sarcasmo, ironia e muitas outras qualidades não vistas em outras cantoras supervalorizadas;

- Além de tudo isso, as músicas são agradáveis aos ouvidos, seus vocais não cansam;

- Radiofonia e estupidez não são necessariamente obrigatórios. 

Bônus:

O lindo cover de “Somewhere Only We Know” do Keane também estará na tracklist oficial do “Sheezus”.

por Nathalia Ferrari em 10/03/2014

Katy Perry sempre quis ser a Elizabeth Taylor da música. Ela mesma afirmou numa entrevista daquelas de começo de carreira; a inspiração no visual pin-up e os olhos violeta gritam por Liz. Pois bem, no terceiro single de “Prism”, finalmente seu desejo foi alcançado. Katy é a Cleópatra de Memphis, sentada no alto de seu trono, analisando minuciosamente seus pretendentes. Aqui, quando os caras falham em algum critério, são rapidamente reduzidos a pó - ou a cachorro - com a magia negra cantada na faixa. A Cleópatra do cinema faliu a Fox nos anos 50 e cá entre nós, não precisava de nenhum encanto; a Rainha do Egito já era difícil por si só. Katy Perry permanece Candy Queen, apesar de ter queimado as perucas numa hora de destempero. E a mais divertida dentre as garotas do pop.  

por Nathalia Ferrari em 20/02/2014

Natalia Kills traz o terceiro videoclipe de “Trouble” e desta vez, a faixa-título foi escolhida para dar vazão ao seu autobiográfico segundo álbum. A sutil brincadeira de esconder seus dramas com maquiagem e jóias aparece novamente, mas apenas como parte integrante de seu imaginário. Uma relação problemática, as drogas e o vazio no olhar da intérprete fazem deste clipe uma versão de “We Found Love”, sem o apelo comercial ou popularidade. Aliás, quesitos estes cada vez mais distantes de Natalia, apesar da Era impecável e coerente. 

por Nathalia Ferrari em 19/02/2014

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Há não tanto tempo assim, escrevia artigos sobre como Justin Bieber era bem assessorado e um exemplo de ídolo teen. No show bizz, as coisas mudam tão rapidamente, que piscamos os olhos, e pronto, a mugshot do cantor está em todos os lugares. Blame the fame? 

Bieber não é mais o garotinho dos tempos de Youtube e a fama não deveria ser levada tão a sério. Mas ninguém fica famoso sem motivo, - exceto os big brothers da vida - se hoje o garoto é um superstar global, é porque tinha talento e perseguiu este objetivo. E se engana quem acha que a popularidade nesse nível estratosférico é uma simples “consequência” do trabalho. Para ser grande, notado, idolatrado nos quatro cantos do mundo, é indispensável ser famoso. 

Britney Spears em 2007 protagonizou o momento mais emblemático sobre a toxicidade dos efeitos da fama. Surtou, ficou careca e foi exposta por todos os meios de comunicação, graças aos paparazzi. A Marilyn Monroe de nossos tempos. Aquilo foi tão real, que o meltdown da loira já faz parte da primeira classe dentre os componentes da cultura pop. E tudo mudou desde lá. 

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Se Bieber hoje não consegue fazer uma pequena cagada, é porque quis ser famoso, ser grande, alcançar grandes massas. Não pediu para ser julgado, mas esta sim é a consequência. Vamos pensar num caso palpável; que fosse um menino comum, com a mesma idade de Justin. Uma mãe não gostaria de pegá-lo na delegacia, nem saber que está sob efeitos de substâncias nocivas. Ou seja, é normal, mas não tolerável. Pelo menos não de maneira passiva.

O que há de diferente entre a vida comum e a do estrelato é a possibilidade de “blindar”, esconder e gerenciar crises. Na sua casa, as coisas caem no colo da sua família, que precisa se virar para resolver todos os problemas. Por isso, a má reputação recente dele deveria te colocar para pensar…

A separação de Selena, as festas no Brasil, a moça que filmou Justin dormindo e as recentes ocorrências policiais… tudo extremamente exposto, rasgado, over shared. Existe marketing ruim? Caro leitor, agora é a sua vez.

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por Nathalia Ferrari em 06/02/2014

"Can’t Remember to Forget You" não é tão excitante quanto o anúncio da parceria de Shakira e Rihanna. O clipe dirigido por Joseph Kahn, também está longe de ser um de seus melhores trabalhos. Gosto da guitarra e de sentir inveja da bunda beleza de ambas. Mas só. “Me Against The Music” e “Beautiful Liar” já existiam há muito, não havia necessidade de nova roupagem. O que salva é o carisma da colombiana e da barbadiana; - esta última pouco entediada - clipe e música não corresponderam ao buzz inicial.

por Nathalia Ferrari em 06/02/2014

Após um desastroso segundo álbum, Pixie Lott retorna ao estilo de “Turn It Up” - seu ótimo debut - com “Nasty”. O single abre os trabalhos de seu terceiro trabalho, que vai na onda e leva apenas o nome da britânica. Uma evolução de “Mama Do”, mais apimentado na letra, no instrumental e atitude (falta de roupas) no vídeo. A exploração da Lolita ainda cabe para a jovem promessa e aquela vibe R&B do “Young Foolishly Happy” mais se parecia um vestido florido para senhoras +40. De volta ao jogo, a safadinha e angelical Pixie Lott promete o registro completo para o dia 9 de março.

por Nathalia Ferrari em 16/01/2014